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O Brasil pode enfrentar, já nos próximos meses, dificuldades para […]
O Brasil pode enfrentar, já nos próximos meses, dificuldades para garantir o fornecimento de energia nos horários de maior consumo. O alerta foi feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que vem chamando a atenção para um déficit estrutural de potência no país.
Segundo o órgão, embora a capacidade de geração total esteja em expansão, passando de 232 gigawatts para 268 gigawatts entre 2025 e 2029, boa parte desse crescimento vem da energia solar e eólica. O problema é que a solar não atende aos horários críticos da noite, o que mantém a lacuna de suprimento nos momentos de maior demanda.
Diante desse cenário, o ONS considera necessárias medidas emergenciais, entre elas o acionamento de usinas térmicas flexíveis, que podem ser ligadas de forma estratégica para segurar o pico de consumo. Outra alternativa seria a volta do horário de verão, medida que reduziria a pressão sobre o sistema em cerca de 2 gigawatts. O operador destaca que, caso essa decisão seja tomada, precisa acontecer até agosto, já que a implementação leva cerca de três meses.
Além dessas soluções, também está em avaliação a possibilidade de importar até 2,5 gigawatts de energia de países vizinhos para complementar a oferta em momentos de estresse. No entanto, o ONS ressalta que a resposta da demanda, mecanismo em que grandes consumidores reduzem voluntariamente o consumo em troca de compensações, ainda é incipiente. Em 2024, por exemplo, esse programa gerou apenas 100 megawatts de economia, valor considerado muito baixo diante da necessidade.
Outro ponto de atenção é a previsão climática. Caso as chuvas cheguem com atraso entre outubro e novembro de 2025, o risco de aperto no sistema se intensifica. A solução de médio prazo seria a realização de um novo leilão de reserva de capacidade (LRCAP), previsto para o início de 2026, que garantiria maior estabilidade ao sistema.
Para o ONS, o momento exige decisões rápidas e integradas entre governo e setor elétrico. O objetivo é evitar apagões e assegurar que o crescimento da demanda por energia seja atendido de forma segura, especialmente em um país cada vez mais dependente de fontes renováveis, mas ainda vulnerável nos horários de maior consumo.